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Castelo de Vide (Alentejo)

Sinagoga

  • Coordenadas: 39.417533,-7.457807

Uma placa de sinalização leva-o à íngreme Rua da Fonte, passando por casas de portas e janelas góticas. Um olhar atento descortina a Sinagoga mais antiga em Portugal.

Do lado de fora não se parece diferente das restantes casas, é o edifício de esquina – Sinagogas de exterior simples são típicas em Portugal.

No fim do século XV, Dom Manuel I quer casar com a Princesa das Astúrias, Dona Isabel de Aragão e Castela. Não se trata de amor, mas de gerar um herdeiro legítimo.

O casamento é uma estratégia que, pelo menos no universo dos sonhos, elimina futuras hostilidades com o vizinho superior em recursos populacionais. Nesta época, Portugal terá, no máximo, perto dum milhão e meio de habitantes (grande parte dos homens ativos navega por meio mundo).

Todos os reinos na Península Ibérica estavam em processo de unificação sobre o poder esmagador de Castela (exceto 1 cheio de riquezas além mar…). Assim, a haver uma unificação ibérica, seria feita por um varão português.

Porém, os Reis Católicos exigem como condição inegociável a expulsão dos judeus, algo que Dom Manuel I não queria – inimaginável para o fundador do reino: Afonso Henriques confiava as finanças a um rabi; tradição seguida por todos da sua linhagem.

Dom Manuel acredita que a união é vital para a sobrevivência do reino e concede a fazer desaparecer os judeus de Portugal… Após o casamento, promulga medidas que torna impraticável a saída voluntária ou a expulsão dos judeus. O plano é convertê-los ao cristianismo: o cristão novo (cripto-judeus).

As conversões foram uma tortura psicológica, por vezes física, e nos casos extremos culmina em mortes – uma traição aos judeus portugueses.

Todo o processo, macabro, foi em vão: a rainha morre no parto de Miguel da Paz (herdeiro de Portugal, Castela, Leão, Aragão e Sicília) e este morrerá com 2 anos (quando se encontrava com os avós; os reis católicos de Espanha).

Inevitavelmente, no fim do século XVI, Espanha e Portugal entram em rota de colisão…

Como “cristãos novos” são livres para saírem, e foi o que aconteceu com os portugueses que foram para Amesterdão, cujos descendentes assistem à anexação de Portugal (União Ibérica). Os Países Baixos também lutam pela independência face a Espanha, a nova potência mundial.

A maioria não tinha meios para sair e por cá ficaram como “cristãos novos”. Em Castelo de Vide há vários indícios da influência judaica: O bolo da massa parece o pão ázimo consumido pelos judeus e, durante a Páscoa, a bênção e o abate dos borregos é feito duma forma que remete para o abate ritual dos judeus.

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