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Príncipe Real, Estrela e São Bento (Lisboa)

A partir da paragem em frente à Basílica da Estrela, pode apanhar o elétrico 25 para a íngreme Rua de São Domingos à Lapa. A seguir ao terramoto de 1755, as freiras do Convento das Trinas lotearam as terras da sua cerca, promovendo a construção de 500 casas.

Preferindo fazer contratos com alfaiates e mestre-escola, e evitando os poderosos – nasceu o burguês bairro da lapa, dos mais elegantes de Lisboa. Daqui está a cinco minutos do Museu Nacional de Arte Antiga.

Museu Nacional de Arte Antiga (Lapa)

  • Coordenadas: 38.704841,-9.161464

O Museu Nacional de Arte Antiga, Rua das Janelas Verdes 95, situa-se no subúrbio da Lapa.

Possui a maior coleção de pintura portuguesa do século XV, XVI, arte europeia desde o século XIV,  exibida num palácio do século XVII, outrora do Marquês de Pombal, construído sobre as ruínas de um mosteiro, arrasado pelo terramoto de 1755.

O jardim e café do museu também merecem uma visita. Para chegar, apanhe o autocarro 740 ou 760 da Praça do Comércio, ou o 727, 749 de Belém.

O destaque principal são os seis Painéis de São Vicente de Fora (século XV) de Nuno Gonçalves, pintor do rei Dom Afonso V. É um dos mais notáveis retratos coletivos da pintura europeia.

Paineis de São Vicente de Fora

É também um dos grandes mistérios da história da arte portuguesa, carregado de simbolismo que evoca um acontecimento trágico da sua época, a morte do Infante (príncipe) Fernando, como prisioneiro no atual Marrocos.

São 58 personagem à volta do Santo Vicente (patrono das conquistas portuguesas em Marrocos) que carrega o Livro com texto do serviço do Pentecostes e com as Palavras visíveis “Autoridade de Deus” sobre uma pessoa ajoelhada.

Este será o Rei Dom Duarte que faleceu em 1438. Por detrás está o adolescente que será o futuro rei Dom Afonso V e o Infante Dom Henrique.

São Vicente foi um mártir do século IV, morreu na prisão e não teve uma sepultura condigna. Da mesma forma o Santo Infante Fernando, morreu na prisão em Marrocos – próximo do domingo da festa de Pentecostes em 1443.

Não teve uma sepultura condigna, e o seu corpo foi suspenso nu por uma corda em Fez.  Num dos painéis há a alusão a São Vicente com uma corda no chão.

Tirando os Painéis, a coleção de arte oriental mostra a influência de modelos indianos, africanos e orientais derivados das relações comerciais do século XVI.

Há móveis embutidos de Goa, azulejos turcos e sírios, porcelana da Dinastia Qing e os biombos namban de origem japonesa (século XVI) que mostra o desembarque Português em Nagasaki.

Das muitas trocas comerciais e tecnológicas introduzidas pelos portugueses, o arcabuz foi essencial na unificação do Japão no século XVII. Simples itens como a cadeira era algo que os japoneses desconheciam.

Niombos Namban

Os portugueses criam posto comercial em Nagasaki e o famoso “negócio da china” correspondia a trocar seda chinesa pela prata japonesa.

Os japoneses viam os portugueses como bárbaros vindos do sul (Namban), de narizes grandes, mas de enorme destreza e heroísmo devido a episódios como o da Nau Nossa Senhora da Graça que dá uma impressão exagerada das qualidades dos portugueses.

Tudo começa em Macau (1608), quando uma tripulação japonesa se comportou de forma desrespeitosa, violenta, ferindo um magistrado. Deste modo, os portugueses são obrigados a intervir e, liderados pelo capitão André Pessoa, acabam por matar vários japoneses.

Quando o capitão André Pessoa chega a Nagasaki, em 1609, o samurai Hasegawa Fujihiro insiste em inspecionar o conteúdo da nau na Nossa Senhora da Graça, um comportamento anormal para com os portugueses. Pessoa recusa o pedido.

Entretanto, os sobreviventes japoneses contam a versão dos eventos ao senhor Arima Harunobu, que narra esta versão Tokugawa Ieyasu (fundador do Japão) que ordena a prisão do capitão português a todo custo.

Ao ser informado do que se passa pela comunidade cristã japonesa, Pessoa tem tempo para preparar uma defesa. Durante 3 noites, os samurais tentaram, sem sucesso, tomar a nau e prender o capitão.

As baixas portuguesas rondam a meia dúzia enquanto os samurais vão já em várias centenas de mortos. Na quarta noite, 3 000 samurais atacam em força a nau portuguesa, e após várias horas luta, um incêndio alastra na nau.

Pessoa prefere morrer a se render, larga a espada, escudo e com um crucifixo na mão exclama: “Bendito sejas tu, ó Senhor, pois queres que isso acabe!

Dá um rápido aviso à tripulação para saltar e corre para incendiar o Paiol. Ocorrem duas explosões e a Nossa Senhora da Graça se divide em duas e afunda. O heroísmo de Pessoa acabou por prejudicar a atividade portuguesa no Japão, pois confirmou que os portugueses são difíceis de controlar.

 

Museu da Marioneta

  • Coordenadas: 38.707938,-9.155836

Um quilómetro a leste do Museu Nacional de Arte Antiga, na Rua Esperança 146, encontra-se o Museu da Marioneta. Fantoches históricos e contemporâneos de todo o mundo são exibidos num antigo convento do século XVIII.

Os destaques incluem bonecos de sombra da Turquia e Indonésia, marionetas de cordas, e figuras contemporâneas quase em tamanho natural do marionetista Helena Vaz.

 

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