Início Algarve A Oeste de Faro Sagres (Vila do Bispo)

Sagres (Vila do Bispo)

A Vila não era uma povoação, mas uma casa. Entre o Cabo de São Vicente e a Fortaleza de Sagres – num mapa do século XVI é visível um solar de várias chaminés entre o cabo e a fortaleza (quando Sir Francis Drake atacou a região).

Ainda jovem (21 anos) o Infante participou no planeamento da tomada de Ceuta (atual Marrocos).

O Dom Nuno Álvares Pereira (com 55 anos, viúvo e após o falecimento da filha) ainda terá participado no conflito antes de optar pela vida monástica – habituado a liderar agora acompanha a nova geração, os filhos do Rei por quem tanto lutou para que fosse monarca.

A tomada de Ceuta impressionou não só o mundo muçulmano, mas também as monarquias europeias, pois permitia controlar o estreito de Gibraltar do lado africano quando parte da costa ibérica estava sob controlo muçulmano (o reino de Granada ainda não tinha sido absorvido por Castela ou Aragão).

Em 1416, o Infante torna-se governador de Ceuta e faz de Lagos o centro de coordenação do apoio a Ceuta (ainda não residia no Algarve).

A tomada de Ceuta foi um sucesso militar, mas um desastre financeiro. De modo que 20 anos depois lidera uma nova expedição terrestre a Tânger (Marrocos) – sem o elemento de surpresa (que existiu em Ceuta) um enorme exército do Islão é reunido e cerca os portugueses.

O seu irmão mais velho, rei Dom Duarte, fez recomendações para que se protegesse desse cenário – todas ignoradas. É um fracasso e uma tragédia familiar – o irmão mais novo (Infante Fernando), aprisionado e mal tratado, morre no atual Marrocos.

Só mais tarde o filho de Dom Duarte (Rei Dom Afonso V) toma Tânger e estabelece um tratado de paz, por 20 anos, recebendo os ossos do Fernando (que repousam perto dos de Dom Duarte).

Antes disso ocorrer, é sobre a sombra do seu recente fracasso que o Infante vai viver para o Algarve e donde planeia próximos passos.

Na altura do Infante Dom Henrique, atacavam-se as fortalezas próximas do mar por terra, nunca por mar. Dos navios não se usava artilharia pesada, só catapultas.

É o Infante Dom Henrique que usa, pela primeira vez, artilharia pesada marítima, de forma a maximizar os danos antes de enviar homens para o terreno.

Por causa do Infante Dom Henrique, toda a arquitetura militar das fortalezas junto ao mar foram modificadas – típicos estreitos muros, altos, foram substituídos por muralhas com mais espessura.

Ao mesmo tempo, planeia expedições marítimas para sul, utilizando um novo de tipo embarcações – Caravelas de velas latinas triangulares, que podiam manobrar ventos contrários. Faz este desenvolvimento do seu bolso e usando cofres da sua Ordem.

A nova embarcação é pequena, pode entrar em rios, contornar recifes, mas robusta para enfrentar as duras ondas do atlântico (empregou carpinteiros flamengos habituados à dureza do mar do Norte) – é otimizada para a exploração.

Atrai, com grande despesa, os melhores talentos da geografia e cosmografia. Aplica novas técnicas de navegação unindo o saber académico a objetivos práticos – a orientação no mar alto sem se perder é inédita e uma vantagem extraordinária.

Explora várias inovações que vêm da Europa cristã, ou de origem muçulmana, judia, enfim, de várias origens.

Por esta altura, os turcos de Maomé II conquistam Constantinopla (atual Istambul), donde morre o último imperador romano cristão. É um enorme choque na Europa que teme os otomanos.

Neste contexto, o Governador da Ordem de Cristo emprega espiões e técnicas de contrainformação, de forma a garantir o elemento de surpresa. São ocultadas descobertas e só reveladas quando é oportuno.

Embarcações com o símbolo da Ordem de Cristo
Embarcações com o símbolo da Ordem de Cristo

Não menos importante, a busca de reinos cristãos e a expansão cristã visa ser, no mínimo, autossuficiente – política de entrepostos junto à costa que serão mercados e pontos de defesa. Com o tempo visam ser bases para longas navegações.

E assim lançou a semente duma nova era europeia: a Era dos Descobrimentos que inclinou a balança do poder para a Europa.

Após a sua morte, Dom João II e Dom Manuel I aplicam a “Escola de Sagres” e a Ordem de Cristo com o intuito de criarem um império comercial global; enfrentam  os corajosos turcos e aliados em África, no subcontinente indiano (Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal e Butão), na Ásia e impedem o acesso ao Novo mundo.