Algarve A Oeste de Faro Silves (Algarve)

Silves (Algarve)

Em meados do século XII o silvense Ibn Quasî torna-se um mestre do Sufismo – corrente que rejeita a versão mais fundamental do Islão e segue uma linha mais espiritual – cria uma fraternidade de cavaleiros que protegia os mais fracos e de elevada benevolência.

Estátua Equestre de Ibn Quasî, em Mértola

Acabar por conquistar a sua terra natal (Silves), Mértola, Huelva (Espanha) ao império Almorávida. Beja e Évora juntam-se, de forma pacífica, ao seu governo, pois é mais justo, especialmente nos impostos. Diz-se que detinha o poder da oratória e de multiplicar a riqueza.

Na mesma época, o primeiro rei português, Dom Afonso Henriques segue uma linha espiritual do cristianismo, seguramente influenciado pelos templários. Tornam-se amigos e uma aliança é criada; selada com a oferta dum anel, lança e cavalo.

Ibn Qasi acaba assassinado pelos Almóadas que usam a lança oferecida por Dom Afonso Henriques para mostrar a cabeça decepada ao povo de Silves – consideravam uma aliança tão verdadeira, com os portugueses, um sacrilégio.

Os Almóadas tinham no seu “DNA” a Cordilheira de Atlas (cobre partes de Marrocos, Argélia e Tunísia), donde se situa Toubkal (cerca de 4200 metros), e acreditavam que com o tempo os Almorávidas ficaram “liberais”, mais fracos na sua visão.

Usam a letra da lei do Islão para legitimarem o seu projeto, conseguindo assimilar a capital dos Almorávidas (Marraquexe) e expandem ainda mais o poderoso império muçulmano, fazendo de Sevilha a sua segunda capital.

Como resposta à morte do silvense Ibn Quasî, o filho de Dom Afonso Henrique, Dom Sancho I chega a Silves liderando um exército de portugueses e de cruzados estrangeiros que cheiram um saque antes de partirem para a Terra Santa (III Cruzada).

Após meses de cerco, Sancho I negoceia a rendição dos residentes com garantias de segurança. Contudo, mal os portões abrem os cruzados estrangeiros desrespeitam a palavra do Sancho I e saqueiam a cidade matando milhares no processo: incluindo judeus e cristãos.

Quando a notícia chega ao centro do  império almóada, o califa Abu Yusef Yacoub IbnYusuf Al-Mansour (Almançor para os portugueses) aponta o seu exército para Silves. Acaba por recuperar terras a sul do Tejo e ambiciona Santarém que seria uma joia muito especial.

Décadas antes o seu pai tinha falecido em Santarém, vítima duma seta com origem no exército liderado por Dom Afonso Henriques. Os melhores besteiros portugueses, mesmo a uma distância de 150 metros, conseguiam penetrar a armadura dum cavaleiro em movimento – tipicamente eram homens do povo.

Mas Al-Mansour terá de passar pela recém-fortificada Tomar; casa de um dos cavaleiros favoritos do falecido Dom Afonso Henriques –  Gualdim Pais,  já perto dos 70 anos, o 3.º Mestre dos Templários em Portugal.

Com décadas de experiência militar (inclusive na Terra Santa – Segunda Cruzada), Gualdim Pais trava o ímpeto almóada com cerca de duas, três centenas de templários, treinados a seu gosto e fortificados em Tomar.

Com sérias dificuldades para ultrapassar Tomar, Almançor acaba por acordar tréguas mantendo as suas recém-conquistas. Gualdim morrerá 5 anos depois (1195) e encontra-se sepultado em Tomar (Igreja de Santa Maria dos Olivais).

Neste mesmo ano Almançor derrota o exército do reino de Castela (Espanha) na Batalha de Alarcos. Castela leva duas décadas a recuperar, mas acaba por derrotar o exército almóada com apoio de Afonso II de Portugal (Batalha de Navas de Tolosa).

Durante o século XIII, o território andaluz encontra-se enfraquecido por lutas internas no império islâmico. O barcelense Dom Paio Peres Correia, da Ordem de Santiago, sente a oportunidade e recupera definitivamente grande parte do Alentejo e Algarve.