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Alcácer do Sal (Alentejo)

Vindo de Lisboa e do ocidente, Alcácer do Sal é a primeira cidade do Alentejo, a 52 quilómetros de SetúbalBeja e a costa alentejana ficam a menos de uma hora de distância – se tiver algum tempo para esticar as pernas – Alcácer é um óptimo lugar, particularmente ao longo do passeio marítimo.

É dos portos mais antigos de Portugal, fundada por fenícios e capital regional sob os mouros – daí o seu nome al-Ksar – o termo norte-africano para “castelo berbere”, possivelmente emprestado do latim castrum.

O termo geralmente se refere a uma povoação fortificada berbere  A outra parte do seu nome, “de Sal”, reflecte a predominância da indústria do sal com o estuário do Sado cercado por pântanos salgados.

Dom Afonso Henriques conquistou-a aos mouros em 1158-1160, com a ajuda dos Cavaleiros Templários. O Grão Mestre Frei Dom Pedro Arnaldo da Rocha morre na Batalha e acredita-se que foi um dos nove fundadores da Ordem dos Templários. Gualdim Pais torna-se seu sucessor.

Mas os mouros não iam perder uma capital regional sem dar luta e acabaram por reconquistá-la. Foi definitivamente conquistada em nome de Portugal pelo neto de Dom Afonso Henriques  – Dom Afonso II, tornando-se a sede da Ordem Militar de Santiago em Portugal (com símbolo de espada em forma de cruz).

Ordem Militar de Santiago

Um dos seus notórios Mestres foi Paio Peres Correia, de Barcelos, que conquista Aljustrel, Mértola e Ayamonte (hoje em dia Espanha) – mais tarde conduziu com sucesso uma campanha militar contra os Mouros no Algarve (nomeadamente conquista vários territórios como Tavira).

Representação de Paio Peres Correia na Plaza Maior -Salamanca (Espanha)

É eleito Mestre de Ordem Santiago em Mérida (Espanha), e passa a lutar para a coroa de Fernando III de Castela participando na conquista de Sevilha. A sua bravura é destacada na Crónica Geral de Espanha em 1344 (como Pelayo Pérez Correa). Ainda volta a Portugal para dar uma ajuda na conquista final de Faro e Silves ( a capital regional muçulmana)…

Mais tarde, no século XVI, outro notável da Ordem Militar de Santiago é Afonso de Albuquerque, grande estratega e militar, por terra e mar, o segundo europeu a construir uma cidade na Ásia (primeiro foi Alexandre o Grande).

Sempre com poucos milhares de portugueses  desenvolveu o império português no oceano índico, desde a Malásia até ao Irão e à Índia; sob o enorme poderio militar otomano, árabes e aliados nativos.

Afonso de Albuquerque

Antes de morrer em Goa, escreveu ao Rei Dom Manuel I para que cuidasse com honras o seu filho (o que sucedeu) e pediu para lhe vestirem o manto da sua Ordem Militar. Afonso de Albuquerque só foi vencido pela natureza, nunca pelos homens.

O facto que surpreende a maioria das pessoas sobre a Ordem é que já no século XVI tinha como membro um cavaleiro africano  – João de Sá .

No Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa pode-se conhecer o“Chafariz Del Rei” datado do século XVI, de artista estrangeiro onde se pensa estar retratado o José de Sá (de cavalo no canto inferior direito). A presença da cultura africana, de escravos e libertos na cosmopolita Lisboa chocava os restantes europeus.

Chafariz Del Rei

Escravo libertado que nasceu no Congo faz a sua adolescência com os príncipes adolescentes portugueses. Acompanhou o príncipe Dom Luís no Galeão Botafogo na campanha vitoriosa contra Túnis do império Otomano – onde se destacou pela sua bravura.

Casou-se com uma moura branca e o Rei D. João III declara-o “homem preto cavaleiro da minha casa” mas apesar da protecção do Rei e da sua  Ordem sempre emergiram na corte abusos racistas que sabia desarmar com o seu sentido de humor.

Acima da cidade, ergue-se o Castelo, de origem islâmica. Tem uma vista espantosa sobre os arrozais verdejantes que circundam a cidade, e de ninhos de cegonhas nos telhados da igreja. É agora a fabulosa Pousada Dom Afonso II (www.pousadas.pt), com quartos bem decorados, piscina e restaurante.

  • Coordenadas: 38.372194,-8.513917

No dia 30 de Outubro de 1500, a Infanta Dona Maria de Castela e Aragão, filha dos Reis Católicos, atravessa o Sado e desembarca em Alcácer do Sal para se casar aqui com o Rei Dom Manuel I de Portugal (seu Pai foi Mestre da Ordem de Santiago)

Há crónicas da época em que foi uma festa de arromba, e que os Reis foram felizes com muitos filhos. As festas e os banquetes foram na área da ribeira frente ao Castelo.