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Alcácer do Sal (Alentejo)

Vindo de Lisboa, Alcácer do Sal é a primeira cidade do Alentejo, a 52 quilómetros de Setúbal; Beja e a costa alentejana ficam a menos duma hora de distância.

Se tiver tempo para esticar as pernas, aproveite para caminhar longo do passeio marítimo da terra que viu nascer Pedro Nunes, o matemático e cosmógrafo que marcou a ciência do século XVI.

Foi a capital regional dos mouros – al-Ksar era o termo norte-africano para “castelo berbere” ou fortificação berbere. A outra parte do nome, “de Sal”, reflete a predominância da indústria do sal com o estuário do Sado cercado por pântanos salgados.

Dom Afonso Henriques conquistou-a aos mouros (1158-1160) com a ajuda dos lendários cavaleiros templários – frei Pedro Arnaldo da Rocha morre na Batalha e acredita-se que foi um dos fundadores da ordem dos Templários.

Os mouros não iam perder uma capital regional sem dar luta e acabam por reconquistá-la. É definitivamente conquistada pelo neto de Dom Afonso Henriques  (Dom Afonso II),  tornando-se sede da Ordem Militar de Santiago em Portugal até ao fim do século XV.

Ordem Militar de Santiago

Pelas mãos de Dom João II Palmela passa a ser a sede da ordem até à sua extinção (1834) após a vitória dos liberais na guerra civil.

Um dos mais notórios mestres foi Paio Peres Correia, de Barcelos, que conquista Aljustrel, Mértola e Ayamonte (hoje em dia parte de Espanha) – mais tarde conduziu uma campanha contra os Mouros no Algarve (conquistando territórios como Tavira).

Representação de Paio Peres Correia na Plaza Maior-Salamanca (Espanha)

É eleito mestre de ordem santiago em Mérida (Espanha), e passa a lutar para a coroa de Fernando III de Castela.

A sua bravura na conquista de Sevilha é destacada na Crónica Geral de Espanha em 1344 (como Pelayo Pérez Correa). Ainda volta a Portugal para dar uma ajuda na conquista final de Faro e Silves (na altura capital regional muçulmana).

 

  • Coordenadas: 38.372194,-8.513917

Acima da cidade, ergue-se o Castelo, de origem islâmica. Tem uma vista espantosa sobre os arrozais verdejantes que circundam a cidade, ocasionalmente com ninhos de cegonhas nos telhados da igreja.

É agora a fabulosa Pousada Dom Afonso II (www.pousadas.pt), com quartos bem decorados, piscina e restaurante. No dia 30 de outubro de 1500, a Infanta Dona Maria de Castela e Aragão, filha dos Reis Católicos, atravessa o Sado e desembarca aqui para se casar com Dom Manuel I  (cujo pai tinha sido mestre da ordem de Santiago).

As festas foram feitas na área da ribeira de frente ao castelo. Há crónicas da época que dizem que foi uma festa de arromba e que os reis foram felizes com muitos filhos.

No mesmo século, emerge outro notável da ordem: Afonso de Albuquerque. Com poucos milhares de portugueses, bem organizados, desenvolve o império português no oceano índico, pela Malásia, Índia até bem perto do território persa.

Para oeste fica a Índia e o petróleo da época eram as especiarias orientais como canela, pimenta, noz moscada, gengibre – Albuquerque controla o comércio marítimo destas especiarias.

No subcontinente indiano, outrora conhecido como Indostão (atual Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal e Butão), turcos otomanos e os aliados nativos descobrem, a contragosto, que o seu ego é substanciado por feitos extraordinários.

Afonso de Albuquerque

Antes de morrer, com 62 anos em Goa, escreveu ao Rei Dom Manuel I uma carta bem humana: pediu ao seu monarca que cobrisse com honras não a ele, mas ao seu filho de 14 anos (o que sucedeu).

Afonso de Albuquerque nunca se casou, mas fez questão de legitimar o seu filho que se tornou íntimo da família real. Depois pediu que lhe vestissem o manto da ordem… Afonso de Albuquerque só foi vencido pela natureza o que é notável.

Também teve uma filha com uma escrava de Cananor (Índia). Após a morte do pai é escoltada para Portugal donde casa e, senhora dum bom dote, terá uma vida confortável.