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Setúbal

No fundo dum vale, encostado à sedutora serra de Arrábida, fica a cidade de Setúbal junto ao Estuário do Sado. Na linha do horizonte, a península de Troia, a imensa faixa de areia, conectada por um ferry e catamarã, nos chama para investigarmos os seus tesouros. Tudo isto, faz de Setúbal uma natural sedutora.

A cidade faz parte da Área Metropolitana de Lisboa, limitada a este por Sesimbra, por Palmela a norte, e a sul pelo estuário. Setúbal só floresce após a conquista do poderoso castelo mouro de Alcácer do Sal (século XIII).

Até então os mouros controlavam o estuário, mas já eram pressionados por Palmela – importante centro dos cavaleiros da ordem de Santiago  (e que passou a ser a sua sede a partir do fim do século XV).

Cavaleiro de Santiago
Cavaleiro de Santiago

O florescimento de Setúbal advém da sardinha e do sal para a salgar. Quando chegamos ao século XVI, era uma vila notável, um importante centro de comércio e do seu porto partiram armadas para a Índia. A Feira de Sant’Iago, que ocorre no verão (fins de julho e inícios de agosto), tem origem nesta época.

Fica a 40 km da capital e pode chegar a Setúbal por autocarros e comboio que partem de Sete Rios em Lisboa, com um tempo de viagem de cerca de 1 hora. No seu encantador núcleo encontra pequenas lojas e serviços, cada vez mais direcionados para o turismo.

 

  • Coordenadas: 38.524336, -8.892631

A praça principal é a Praça do Bocage com a estátua em homenagem ao poeta setubalense do século XIX: Manuel Maria Barbosa du Bocage.

Na antiga rua batisol encontra uma lápide que marca a casa donde nasceu. Foi um grande poeta, da vida e do povo, que detestava a hipocrisia. Todos os setubalenses são um pouco assim.

Grande parte da sua vida é um mistério, mas sabemos que era aventureiro, boémio de bom fundo e que cativava muitas mulheres.

A praça também nos revela a Igreja de São Julião: das mais bonitas da cidade com um lindo altar em talha dourada. Com origem no século XIII, mas alvo de várias restaurações, nomeadamente século XVI, adquirindo o portal manuelino que vê, e após o terramoto de 1755.

  • Coordenadas: 38.523984, -8.892441

Setúbal sofreu imenso com o terramoto de 1755. Mas, 50 anos depois, estava inteiramente reconstruída. Conquista, por direito próprio, o título de cidade no século XIX.

A origem medieval é-nos revelada pelas suas ruas estreitas. Ao pé da igreja, a rua Serpa Pinto que o leva à baixa da cidade, pequenas ruas adornadas com lojas e restaurantes. A baixa manuelina é muito bonita. Não leva muito tempo a encontrar a Taberna do Largo, no largo do Doutor Francisco Soveral.

  • Coordenadas: 38.523599, -8.890893

É uma interpretação das antigas tabernas típicas com apontamentos contemporâneos. Com petiscos tradicionais acompanhados com vinho tinto ou, se preferir, gin. É um ótimo espaço e com boa comida.

Ao regressar à Praça do Bocage, inevitavelmente avista o Paços do Conselho – do século XVI erguido a mando de Dom João III (filho de Dom Manuel) e remodelado após o terramoto de 1755.

  • Coordenadas: 38.524684, -8.892360

No Paços do Conselho fica a Loja Coisas de Setúbal, onde adquire pequenas recordações do artesanato local, da gastronomia regional e obras de artistas setubalenses.

Moscatel de SetúbalO Moscatel de Setúbal é uma ótima lembrança – vinho fortificado doce com um aroma singular, maduro, e com sabor a mel. De origem controlada há mais de 100 anos, com origem em Azeitão (noroeste de Setúbal), é produzido com a doce uva moscatel.

 

  • Coordenadas: 38.525870, -8.894699

A cerca de 500 metros para noroeste, fica o impressionante tesouro arquitetónico da cidade: Convento de Jesus (século XV).

É magnífico, primeiro monumento manuelino, fundando por Justa Rodrigues Pereira, a antiga ama do rei Dom Manuel – p monarca ofereceu os sinos que ainda encontra na igreja.

Parece que Justa Rodrigues Pereira era uma mulher belíssima e o convento foi concebido por Diogo Boitaca, que mais tarde concebeu o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém em Lisboa. De particular interesse é a extravagante entrada, a capela principal e os seis extraordinários pilares.

No interior descobre um museu com ​​pinturas notáveis do século XVI da vida de Cristo, azulejos, moedas antigas e artefactos religiosos.

A 500 metros a sul do Convento de Jesus, vai acabar por se deparar com a rua de Fran Paxeco, donde descortina a Casa das Quatro Cabeças (nº 44), na esquina com a travessa de Carmo, no tradicional bairro de Troino.

  • Coordenadas: 38.524321, -8.895454

Os nobres em 1484 conjuraram-se e planearam tirar a vida ao Dom João II, que gostava muito de Setúbal e daqui partiram muitas caravelas por sua ordem.

Já o seu pai Dom Afonso V tinha zarpado de Setúbal para conquistar Alcácer-Ceguer (1458) em Marrocos – o Infante Dom Henrique ainda participou com os seus cavaleiros de Cristo (sucessores dos templários).

Na porta principal da casa está o busto de Dom João II (alguns dizem que é a pessoa que revelou a conspiração) e a inscrição em latim: Si Deus pro nobis, quis contra nos (Se Deus é por nós, quem prevalecerá contra nós?)

No cunhal da casa fica o busto que representa Dom João II, rodeado por 2 pequenos bustos – os conspiradores que procuravam o regicídio, possivelmente Garcia de Menezes o bispo de Évora, e Dom Diogo o duque de Viseu, irmão da rainha.

Dom Diogo era o novo mestre da ordem de Cristo. O seu pai, infante Dom Fernando, um corajoso militar e navegador, herdou a enorme riqueza do seu tio Infante Dom Henrique.

Várias vezes o Dom João II avisou Dom Diogo para não participar em intrigas. O rei começa por executar, por motivos de conspiração contra o monarca, Fernando II o 3.º duque de Bragança e amigo do jovem Diogo.

Fernando II era o mais poderoso nobre português e bisneto de Nuno Álvares Pereira. A sua execução, afrontosa, desencadeou uma reação imensa de toda a nobreza.

Havia provas de conspiração contra o rei, mas o duque era um valente nobre e o julgamento tinha mais aparências de justiça do que um verdadeiro palco de lei – o que aumentou o sentimento de vingança da nobreza.

Dom João II diria: “Sou o senhor dos senhores, não o servo dos servos.”

Um após a morte do duque de Bragança, a nobreza quer criar nova regência. No dia 20 de agosto de 1484, Diogo tinha 200 lanças à espera do rei para o matar assim que chegasse o seu barco a uma praia de Setúbal.

Dom João II é avisado por Dom Vasco Coutinho e ilude a morte. No dia seguinte chama Dom Diogo e, após uma breve trocas de palavras, esfaqueia-o com um punhal – Garcia de Menezes morrerá envenenado.

Na mesma sala que matou Dom Diogo, chama o seu irmão mais novo: como é inocente diz que será tratado como fosse seu filho. Tornar-se-à o novo mestre da ordem de Cristo e, após a morte de Dom João II, o escolhido para ser o novo rei: Dom Manuel I.

 

  • Coordenadas: 38.523906, -8.896698

O centro e arredores da cidade estão repletos de história. As ruas pedestres, fontes e jardins, conferem-lhe a graça duma cidade histórica que continua a prosperar.

A cerca de 200 metros, para oeste, descobre a Praça Teófilo de Bragao Chafariz do Sapal, construído em mármore branco e rosa. É um chafariz do século XVII, do tempo de Dom Pedro II.

 

  • Coordenadas: 38.523039, -8.898693

Continuando para sul, num minuto chega à mais importante artéria: avenida Luísa Todi em homenagem à cantora setubalense do século XVIII, provavelmente a melhor meio-soprano portuguesa.

Não tarda a ver a magnífica Casa da Baía, um centro que promove a cultura do município, com um restaurante e uma galeria de exposições. Adicionalmente, poderá adquirir guloseimas, vários vinhos regionais e o popular queijo de Azeitão, feito de leite de ovelha, de massa mole de casca lavada.