Início Alentejo Alentejo Litoral Santiago do Cacém (Alentejo)

Santiago do Cacém (Alentejo)

 

 

Perto de Alcácer do Sal, Santiago do Cacém é uma agradável cidade dominada por um Castelo e, na perferia, pelas fascinantes ruínas romanas de Miróbriga.

Castelo Santiago do Cacém

A parte moderna centra-se à volta do mercado, e a parte “velha” (não muito) se espalha sobre uma das colinas do Castelo Santiago do Cacém. Pode subir até às ameias do castelo para se inspirar com as amplas vistas da costa distante. Chegar ao castelo, da cidade, é uma caminhada íngreme de 15 minutos.

  • Coordenadas: 38.014211,-8.698265

O castelo tem origem moura, anterior ao século XI. Foi reabilitado pelos templários ao serviço do 1.º Rei de Portugal, Afonso Henriques. Porém, o 3.º Califa da nova potência berbere (Almóada – mais fundamentalista) lidera um ataque recuperando o castelo (fins do século XII) e grande parte do Alentejo e Algarve.

De seguida o califa Abu Iúçufe Iacube Almançor avança para Santarém – imaginem que o seu pai (Abu Ya’qub Yusu) tinha morrido ao tentar recuperar Santarém a Dom Afonso Henriques que liderou pessoalmente a defesa de Santarém.

Perto de Santarém passa pela recém-fortificada Tomar, a sede dos enigmáticos templários em Portugal. O Mestre Gualdim Pais, apesar da sua idade (em 1190 terá 72 anos), lidera o pequeno grupo de templários.

Gualdim Pais foi dos cavaleiros favoritos do Rei Dom Afonso Henriques (que faleceu 5 anos antes do ataque almóada) – elemento essencial para a criação de Portugal e de Afonso Henriques como monarca.

O califa Almançor podia ter tomado todo o território – porém, surpreendentemente, 200 templários fortificados quebram o ímpeto Almóada. Almançor vê-se forçado a fazer tréguas com os portugueses, mantendo os territórios que conquista no Alentejo e Algarve.

Mais tarde, Almançor avança sobre o reino de Castela (Espanha) derrotando o seu exército. Serão alguns anos até que Dom Afonso II (neto de Afonso Henriques) tome Santiago de Cacém, agora com a ajuda dos cavaleiros de Santiago – século XIII.

Cavaleiro de Santiago

Torna-se parte dos domínios da ordem de Santiago, responsáveis pela sua defesa, assim como de Almada, Sesimbra, Setúbal, Palmela, Sines e Alcácer de Sal (a sua sede). O Mestre dos guerreiros de Santiago, Paio Peres Correia, ajudará a conquistar, definitivamente, grande parte do Alentejo e Algarve.

O interior do castelo é agora um campo santo, um grande cemitério carinhosamente amparado nas muralhas.

Igreja Matriz de Santiago de Cacém

  • Coordenadas: 38.013868, -8.697697 

Sobre o morro para além do castelo, está a Igreja Matriz de Santiago de Cacém, de estilo manuelino e renascentista, que era o local de abrigo da população quando eram atacados.

Foi erguida no século XIII, mas desta altura apenas se mantém a Porta do Sol, o portal do Sul. No século XVI, o alcaide-mor de Santiago promove amplas reformas. Com o sismo de 1755 foram efetuadas novas reformas no século XVIII.

No seu interior, descobre o Tesouro da Colegiada de Santiago, onde se encontra um relicário oferecido pela dona Vataça de Láscaris. Segundo a tradição, o relicário contém um pedaço do Santo Lenho – parte da verdadeira cruz da crucificação de Jesus Cristo.

Relicário de Vataça de Láscaris

Dona Vataça Lascáris era neta dum dos reis bizantinos cuja capital era Niceia (atual Iznik na Turquia) – em meados do século XIV todo o reinado foi conquistado pelos turcos.

A família refugia-se em Aragão, donde conheceu a princesa Isabel de Aragão, futura esposa do Rei Dom Dinis, e acompanhou a sua amiga como aia para Portugal.

A Rainha Isabel de Aragão será canonizada, conhecida como a Rainha Santa e é a padroeira de Coimbra. Dona Vataça Lascáris foi responsável pela educação dos filhos dos monarcas.

A Rainha Santa foi uma grande diplomata: atuou na crise entre Aragão e Castela e, mais tarde, entre Portugal e Castela (questões de fronteiras e o rei de Castela teimava em se intitular rei do Algarve) – nesta função foi auxiliada pela amiga Vataça.

A Ordem de Santiago doou as terras de Santiago de Cacém e de Sines à Dona Vataça Lascáris. Após a sua morte, estas terras voltaram para a ordem. Está enterrada na Sé Velha de Coimbra, rodeada por águias de duas cabeças, símbolo da família Láscaris e do império bizantino.