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Palmela

Encimando o casario branco de Palmela ergue-se um majestoso Castelo que protegia uma vasta região até ao estuário do Sado. É um belo mirante para Setúbal, Troia, e para as serras do Louro, de São Luís e dos Gaiteiros.

As serras fazem parte da cadeira montanhosa que liga Palmela, Setúbal e Sesimbra; donde se inclui a deslumbrante Serra da Arrábida que se prolonga ao longo da baía de Setúbal.

Palmela é vila há mais de 600 anos, mas o seu castelo não foi feito por portugueses, é muito antigo, do tempo da ocupação islâmica, passando para as mãos dos temerosos Cavaleiros de Santiago de Espada.

Cavaleiro de Santiago
Cavaleiro de Santiago

Palmela passou a ser a sua sede (antes era Alcácer do Sal) a partir do século XV até ao século XIX. O núcleo histórico de Palmela conserva casas herdadas da idade média.

Fora da vila, a terra apresenta condições adequadas, de sol e de clima, para a produção de uvas de mesa (das regiões vitícolas mais antigas do país) e para a criação de ovelhas de raça saloia que estão na origem no inconfundível, queijo de Azeitão produzido nas queijarias tradicionais.

 

O castelo, sob um rochedo enorme quase a pique, foi a sentinela do Sado durante séculos. Por aqui passou grande parte da história de Portugal.

  • Coordenadas: 38.565854, -8.901288

Foi erguido pela dinastia árabe omíada, durante os séculos XVIII e IX, para controlar o território além Tejo – Alcácer do Sal (Al-Kassr) dominava toda a área de Arrábida.

É conquistado por Dom Afonso Henriques em 1147, no mesmo ano que conquista Lisboa. Porém, o castelo foi sucessivamente recuperado e perdido. Dom Sancho, o filho de Dom Afonso Henriques, entrega-o à ordem militar de Santiago de Espada (com o símbolo de espada em forma de cruz vermelha).

Igreja de Santa Maria
Igreja de Santa Maria
  • Coordenadas: 38.566043, -8.900526

Junto à Torre de Menagem (século XIV) encontra em ruínas o primeiro templo cristão, Igreja de Santa Maria (século XII) – possivelmente no local donde ficava a mesquita.

Enquanto Alcácer do Sal permaneceu nas mãos das forças islâmicas, a comunidade portuguesa não floresce ao pé do Sado. Com a ajuda dos cavaleiros de Santiago, Portugal expande até ao Algarve no século XII. Após Alcácer ser conquistada, Setúbal floresce.

 

No interior das muralhas, a Igreja de Santiago de Palmela (século XIV), é uma magnífica expressão da arte gótica portuguesa. O seu patrocinador foi o Infante Dom João, mestre da ordem e um dos príncipes da ínclita geração – irmão do Infante Dom Henrique.

  • Coordenadas: 38.565510, -8.901402

No interior verá representações do apóstolo Santiago Maior, reconfigurado como guerreiro da fé.

A sua metamorfose em cavaleiro que vinha do céu para lutar nasce da tradição de que a sua sepultura foi encontrada na Galiza – túmulo romano objeto de grande devoção, com um corpo degolado, conhecido como o túmulo do apóstolo. O único apóstolo degolado era o Santiago o Maior (o mais velho).

Esta descoberta coincide no tempo com o movimento da reconquista e fizeram do apóstolo o seu herói – o Santiago Mata-Mouros. Em toda a Espanha e Portugal houve quadros e estátuas com esta representação.

Santiago Maior é o apóstolo de Espanha e o Santuário de Compostela é dos maiores santuários da cristandade.

Na idade média em Portugal dar Um Santiago significava uma carga de cavalaria. Mais tarde o grito de batalha “Santiago” foi substituído por “São Jorge” que Nuno Álvares Pereira bradou em alto som antes da batalha de Aljubarrota contra os castelhanos.

Sepultura dum Cavaleiro de Santiago
Sepultura dum Cavaleiro de Santiago

A igreja foi abandonada em 1835 e pilhada por oportunistas da ocasião – no seu auge o templo era forrado de azulejos.

No pavimento da igreja verá sepulturas de Cavaleiros de Santiago e aqui repousa a arca com os restos de Dom Jorge, o último Mestre da ordem.

Era filho do Dom João II, que fez tudo para que lhe sucedesse no trono, mas nunca foi rei. O aventureiro Fernão Mendes Pinto, que escreveu a famosa obra literária  Peregrinação, trabalhou como moço para Dom Jorge.

Como príncipe, o Dom João II também foi mestre da ordem de Santiago e neste castelo faleceu um dos conspiradores contra a sua vida: o bispo de Évora, Garcia de Menezes, que estava encerrado na cisterna teve uma dor após o jantar e morreu – todos entenderam que tinha sido envenenado.

Perto da Torre de Menagem, tem a pitoresca Taverna Bobo da Corte,  com vários petiscos deliciosos servidos com grande simpatia – de bom valor.

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No século XIV, da recém-Torre de Menagem o audaz fronteiro do Alentejo Nuno Álvares Pereira faz sinais de fogo para assegurar aos defensores de Lisboa de que ajuda vem a caminho – o Castelo de São Jorge estava cercado for forças castelhanas.

Ao comandante das forças castelhanas envia, como prenda simbólica, um urso que o próprio caçou quando se encontrava na mata densa à volta de Palmela – não há gigante que consiga pará-lo.

No seio das muralhas foi erguido um convento, a mando de Dom João I (pai de Infante Dom Henrique) o monarca que Nuno Álvares Pereira ajudou a meter no trono. Reformado desta função, o convento deu lugar a uma das pousadas mais famosas do país.

  • Coordenadas: 38.565678, -8.901624

A Pousada Castelo de Palmela, é um hotel de 4 estrela, com bar, restaurante e um belo terraço. Os quartos são confortáveis, amplos. Bom pequeno almoço oferecido nos claustros – pode trazer o seu animal de estimação.

No século XIX, ainda havia aqui uma pequena guarnição liderada pelo Major Capelo. Era pai de Hermenegildo Capelo que, com Ivens e Serpa Pinto, fez a travessia de Angola a Moçambique – mais de 3000 km pelo coração duma África selvagem.

Era preparatório do plano duma área portuguesa que iria desde a costa do atlântico até à costa do Índico – sonho negado pelo ultimato inglês (1890) que tinha outros planos.

 

  • Coordenadas: 38.566572, -8.901753

O Parque Venâncio Ribeiro da Costa, conhecido localmente por esplanada, é um sítio de elevada beleza que liga o castelo ao centro histórico.

De cariz romântico com vegetação donde sobressai algumas espécies como o Carvalho, Plátano e o feto arbóreo. Encontra um pequeno anfiteatro, jardim infantil e hortas comunitárias e um parque de merendas.

 

  • Coordenadas: 38.567639, -8.899032

Em Palmela não há só o castelo para ver, se depara com uma vila castiça conservada no tempo que merece uma visita.

Descendo do castelo, a cerca de 200 metros encontra a Igreja de São Pedro  – do século XIV, mas alvo de várias remodelações ao longo dos séculos e com um portal do século XVIII.

No interior encontra lindos azulejos do século XVIII que nos contam a história de São Pedro.

  • Coordenadas: 38.567413, -8.899142

Ao pé do templo, descobre o interessante seiscentista Paços do Concelho, que já foi tribunal, cadeia e espaço da GNR. Desde meados do século XX alberga a Câmara Municipal de Palmela.

Até ao século XIX, tudo girava à volta da cabeça do mestrado de Santiago – não havia outro grupo com meios económicos que dinamizasse a terra e quando passeia pelas ruas não encontrará palácios burgueses.

Só com o melhoramento das estradas e dos caminhos de ferro no século XIX, Palmela renasce como produtora de vinhos e novos bairros crescem na periferia do tradicional núcleo.

 

Numa reformada adega, no Largo de São João de Baptista descortina a simpática Casa Mãe Rota dos Vinhos que promove vários produtos da região.

  • Coordenadas: 38.571435, -8.902599

Aqui poderá apreciar e comprar diversas iguarias que se inspiraram na história e produtos locais –  experimente o pastel de Santiago ou o bombom de Moscatel de Setúbal.

Também pode adquirir os bons vinhos. O mais tradicional é o Moscatel: vinho fortificado doce com sabor a mel (com origem em Azeitão).

Na viticultura da região, predomina a tradicional casta de uva Castelão (conhecida por periquita em Palmela), enquanto na casta de uva branca se destaca o Fernão-Pires, Moscatel e Tamarez.

Guarde espaço para o  queijo de Azeitão. Só pode ser feito a partir do leite de ovelha dentro dos concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra. É um queijo amanteigado ligeiramente salgado, um pouco ácido – é dos melhores queijos que se fazem em Portugal.