Algarve A Leste de Faro Cacela Velha (Algarve)

Cacela Velha (Algarve)

Dez quilómetros de Cabanas e a 8 minutos de carro de Manta Rota, no cimo duma falésia de frente para o estuário, está a aldeia caiada de Cacela Velha do concelho de Vila Real de Santo António, Freguesia de Vila Nova de Cacela –  um lembrete de como Algarve devia ser –  há cerca de meio século atrás.

Por muitos anos a pesca foi a principal fonte de riqueza. Nos últimas décadas, a aldeia passou a ser um destino turístico – contudo ainda hoje pescadores fornecem peixe e frutos do mar aos restaurantes locais.

Foi um importante centro populacional durante o período islâmico. No início do século VIII, quando o território de Portugal e de Espanha era dominado por um rei tirânico Visigótico – Roderic.

Sob as ordens do califa omíada, o Tariq bin Ziyad (donde vem a palavra Gibraltar) lidera o exército de Norte de África que conquista quase toda a Península Ibérica em sete anos.

Tariq Bin Ziyad por Azhar Abbas

Na altura, os nativos da península ibérica não choram a queda do “sangue azul” visigótico, porque com os muçulmanos, nenhuma propriedade foi confiscada e, em vez disso, introduziram um sistema de taxação, que dava espaço para a população prosperar.

De modo que  prosperava na região conhecida como Garb Andalus movimentos artísticos; na literatura, na decoração e música. Escavações arqueológicas realizadas em 2007, determinaram que na Cacela Velha ficava a Medina de Qast’alla Daraj, centro islâmico do século X. 

A aldeia celebra a sua herança árabe e bérbere com um festival em meados de Julho, Noites D’Encanto, com comida árabe, e oferece noites de música, dança do ventre, incluindo souk (mercado tradicional).

Com o passar dos séculos, a situação em Garb Andalus deteriora-se. Movimentos islâmicos mais fundamentalistas começam a lutar entre si pelo poder na região – e os cristãos começam a reconquista.

Em Portugal, esta região foi conquistada por Paio Peres Correia, Mestre da Ordem de Santiago em Portugal (sediada em Alcácer do Sal) – século XIII.

Após a conquista desta região são estabelecidas tréguas – que são quebradas quando 7 cavaleiros são assassinados perto de Tavira – inclusive o Comendador da Ordem Militar de Santiago do reino de Castela.

Azulejos representando Paio Peres Correia no Mosteiro de Tentudia – Badajoz, Espanha

Paio Peres Correia, danado com a morte dos cavaleiros, leva a sua tropa para Tavira…  Digamos que não foi bonito, uma barbaridade, conquistando Tavira para Portugal.

Hoje em dia, a aldeia tem um par de simples cafés e restaurantes, uma bonita igreja e os restos de um forte (XVIII), que cercado por oliveiras, oferece vistas espectaculares sob a falésia.