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Cacela Velha (Algarve)

 

 

No cimo duma falésia de frente para o estuário, orgulhosamente emerge a caiada Cacela Velha de Vila Real de Santo António – um lembrete de como Algarve devia ser há meio século atrás. Fica a 10 km de Cabanas e a 10 minutos de Manta Rota

Por muitos anos a pesca foi a principal fonte de riqueza e, nas últimas décadas, passou a ser um precioso destino turístico, mas ainda hoje os pescadores fornecem peixe e frutos do mar aos restaurantes locais.

Foi um importante centro durante o período islâmico. Escavações arqueológicas (realizadas em 2007) determinaram que na Cacela Velha ficava a Medina de Qast’alla Daraj, centro islâmico da Gharb al-Andalus no século X.

No início do século VIII, o território de Portugal e de Espanha era dominado por um rei tirânico Visigótico (Roderic). Sob as ordens do califa omíada, o corajoso Tariq bin Ziyad (donde vem a palavra Gibraltar) lidera o exército que conquista quase toda a Península Ibérica – em apenas sete anos.

Tariq Bin Ziyad por Azhar Abbas

Os nativos não choram muito pela queda do “sangue azul” visigótico, até porque com os muçulmanos nenhuma propriedade foi confiscada e, em vez disso, introduziram um sistema de taxação que permitiu aos locais prosperarem.

Bom, a prosperidade faz os movimentos artísticos florescerem: na literatura, pintura, decoração e música. A aldeia celebra a sua herança árabe e berbere com um festival em meados de julho: Noites D’Encanto de comida, música, dança do ventre e incluindo souk (mercado tradicional).

Infelizmente, com o passar dos séculos, a situação deteriora-se. Movimentos islâmicos fundamentalistas ganham o poder e é nesta altura que os cristãos começam a reconquista.

Em Portugal, a região foi conquistada pelo barcelense Paio Peres Correia, mestre da ordem de Santiago em Portugal (sediada em Alcácer do Sal) – século XIII. Após esta conquista são estabelecidas tréguas.

Porém, 7 cavaleiros são assassinados quando caçavam bem perto da Tavira muçulmana – inclusive o comendador da Ordem de Santiago de Castela.

Azulejos representando Paio Peres Correia no Mosteiro de Tentudia – Badajoz, Espanha

Paio Peres Correia, danado com a morte dos cavaleiros, leva a sua tropa para Tavira… Digamos que não foi bonito, uma barbaridade, e conquistou a cidade.

Hoje em dia, tem um par de simples cafés e restaurantes, uma bonita igreja e os restos dum forte, cercado por oliveiras, que nos brinda com vistas espetaculares sob a falésia.